Joares Machado: Um vencedor que apostou no sonho

Os heróis de verdade são aqueles que andam uma milha mais, são aqueles que não dão ouvidos a pré-conceitos estabelecidos. Heróis de verdade são aqueles que tem a capacidade de sonhar e buscar a realização do sonho. O grande cientista Judeu, Albert Einsten afirmou que a imaginação é mais importante que o conhecimento, porém a mesma sem ação é ineficiente. Heróis de verdade são do tipo preconizado por Bertold Brecht, "aqueles que lutam uma vida inteira e são imprescindíveis à sociedade".
A vida de nosso entrevistado teria tudo para não dar certo. Ele lutou contra o preconceito, contra a baixa estima. O que o motivou a se tornar um vencedor? A fé em Deus e a não aceitação da situação em que estava vivendo. Hoje ele é um profissional de sucesso, inclusive fora do estado. Seu nome rima com competência e seriedade, assim é Joares Machado; um vencedor que quebrou paradigmas e ousou sonhar.
Nosso entrevistado nasceu em 14 de junho de 1967 na distante cidade de Machadinho. Na verdade a cidade recebeu este nome em função de seu bisavô conhecido por "Machadinho" ter sido o primeiro morador do local.
A vida de Joares não foi fácil, filho de uma família pobre, desde cedo ajudou os pais. Até que a família Machado veio para Campo Bom em busca de dias melhores nas empresas de calçados. Joares lembra que ele e seus 13 irmãos vieram morar no Bairro 25 de Julho. Aos 12 anos para ajudar a família começou a trabalhar na empresa Schmitt Irmãos Calçados. "É uma empresa excelente e que prima por altos conceitos de qualidade, além de ser muito bem administrada pelo Tovar Schmitt e equipe. Quando ninguém falava em qualidade total, no Schmitt Irmãos já havia os CCQs e encontros para melhorar a qualidade e o ambiente de trabalho. Na época eu estava na produção, mas sempre fui muito ousado e já pensava: um dia vou ser alguém na vida. Sabe aos 14 anos comecei estruturar meu projeto de vida. Sempre fui de planejar as coisas, pensei em ser bombeiro, repórter ou fotógrafo. Após ponderar em relação às dificuldades cheguei à conclusão: serei fotógrafo, mas não mais um fotógrafo, vou buscar o aperfeiçoamento e fazer desta profissão a minha vida. Comprei uma máquina de fotografia do meu irmão e lá no Schmitt Irmãos dizia para todos que eu era fotógrafo. Veio o Natal e comecei a tirar fotos do pessoal na frente de pinheirinho. Só que a máquina tinha um flash que ia encima e dava para quatro fotos apenas, o que encareceu as fotos, ou melhor, não tive muito lucro com as fotos feitas no refeitório da empresa", conta Joares que segue sua história: "Fiz economias e comprei uma máquina com flash embutido, paguei o maior mico, fui fazer um aniversário do filho de um amigo e das 36 fotos que tirei apenas uma ficou boa, as demais ficaram escuras, pois o flash era fraco. Ali senti que precisava realizar cursos e especializar-me na área. Comprei uma máquina semi-profissional, confeccionei alguns cartões, passei a fotografar casamentos, aniversários e batizados. Quando fiz 18 anos saí da empresa, contra a vontade de meu pai que sempre achava que não devia trocar o certo pelo duvidoso, porém apostei no meu sonho. Saí do Schmitt Irmãos e abri o primeiro estúdio na Rua dos Andradas próximo do açougue Schneider e da Tia Ana. Saía de bicicleta oferecendo meus serviços. Sempre fui muito insistente e acho que o jovem de hoje deveria ser mais assim. Eles desistem muito fácil de seus sonhos", conta Joares que se emociona ao lembrar de pessoas que o incentivaram em sua caminhada. "Olha, tive muito apoio de amigos de fé como o Senhor Orlando lá do 25 de Julho que foi fiador em meu primeiro estúdio, bem como, sempre recebi apoio do Vilmar do Foto Atlântida que é um irmão de fé. Tanto ele como Senhor Orlando acreditaram em meu potencial e devo muito a eles", fala Joares com a voz embargada.

Roubaram a bicicleta


Perseverança e vontade eram palavras chaves na vida de Joares que passou a morar no estúdio na Rua dos Andradas que além de fazer fotos, vendia discos, presentes, artesanatos e outros objetos. "Eu abria o estúdio às 6 horas da manhã e quando o pessoal ia trabalhar, lá estava eu sentado tomando chimarrão. Sempre fui muito comunicativo e conversava com todo mundo e aos poucos fui conquistando clientes. O caminho para fidelizar clientes está em oferecer sempre algo a mais, por exemplo, eu não ofereço fotos para meus clientes, ofereço arte, pois fotos existem muitos que fazem. Minha primeira cliente encomendou fotos de um aniversário, e até hoje ela não buscou. Outra feita: estava fazendo um aniversário e na saída fui procurar minha bicicleta, haviam roubado. Fiquei a pé até que comprei uma bicicleta usada ali no Schazan. Com muito esforço consegui dar a volta por cima, equipar o estúdio e comprar meu primeiro carro, um Chevette 81, branco. A vida foi uma grande escola para mim. Tive que crescer, buscar o aperfeiçoamento e perder a timidez, não parece, mas até hoje sou tímido. Sempre aprendi muito com as pessoas mais velhas. E outro detalhe, comecei a ouvir os outros e tirar lições. A gente sempre aprende com quem tem mais experiência. Aliás, o Brasil trata muito mal aos seus velhos. Na Europa, nos EUA e nos países Orientais os velhos são sinônimos de sabedoria. O nosso país tem uma dívida muito grande com os velhos, índios e os negros.

Um estúdio de primeiro mundo


O fotógrafo Joares Machado sempre atento às modificações do mercado, através de cursos realizados em Porto Alegre e São Paulo buscou o aperfeiçoamento, bem como, pesquisou as reações do mercado e descobriu um nicho mercadológico em expansão, a fotografia industrial, além de books, casamentos e produções. Hoje a marca Joares Machado é consagrada e uma das mais lembradas na cabeça do consumidor.
A trajetória deste competente profissional que rompeu barreiras não parou por aí. Durante cinco anos seu estúdio permaneceu na Rua dos Andradas, posteriormente transferiu-se para a Avenida Brasil, próximo do Posto Texaco (Abastecedora Dienstmann), onde permaneceu por quatro anos, foi justamente aí que Joares decidiu ampliar sua atuação e montou em sua belíssima residência na Colina Deuner em Campo Bom um dos melhores estúdios da região, mas o sonho continuou e em 1° de maio de 2002, Joares estava inaugurando em Novo Hamburgo um magnífico estúdio na Galeria das Noivas Inês na Rua José de Alencar, 423 no Bairro Rio Branco. As portas se abriram e o menino que andava de bicicleta se transformou num profissional requisitado e de alto nível. É comum assistirmos entrevistas do fotógrafo nos programas de TV da Net ou então procurá-lo e ser informado que estava viajando cobrindo uma feira em vários lugares do Brasil. Na sua carteira de clientes estão gente famosa da capital e que ele prefere por questões éticas não revelar ou então famílias tradicionais da serra. Casamentos em Gramado, Farroupilha, Canela, Porto Alegre, Novo Hamburgo e Campo Bom entre outras fazem parte da rotina da equipe de Joares que atualmente está composta por dez profissionais desde iluminador, fotógrafo até o maquiador. O estúdio também executa fotos de produtos industriais, de roupas, máquinas, veículos, aniversários e convenções. "Procuramos inovar e surpreender nossos clientes. Não abrimos mão da qualidade e sofisticação e a busca pela excelência é uma constante. Particularmente vivo um momento mágico em minha vida. Tenho uma esposa linda, maravilhosa, uma filha que é um tesouro que Deus nos deu e trabalho na melhor profissão do mundo; fotógrafo. Não peço nada mais a Deus só agradeço pelas bênçãos que Ele me concedeu", destaca Joares que segue sua análise epidérmica: "Plantei durante mais de 20 anos e agora estou colhendo, mas já iniciei o processo de plantio novamente. Na vida a gente é sempre aprendiz e antes de mais nada somos jardineiros. Tudo o que tu plantas ali adiante você vai colher", filosofa Joares.

"Ainda não fiz a melhor foto"


Questionado sobre o segredo de seu sucesso, Joares olha fixo para o horizonte e pondera: "O segredo está em não ter medo de ser feliz e tentar sempre, se hoje não deu amanhã é outro dia. Desistir jamais. Pode parecer um clichê velho e batido, mas trago como filosofia de vida, nunca digo ao meu Deus que tenho um grande problema, mas digo ao meu problema que eu tenho um grande Deus. Ele sempre me orientou, aliás, não faço nada, ou seja, todos os projetos do estúdio, primeiro eu consulto a Deus para saber se realmente é a sua vontade. Na verdade Jesus é o administrador do meu negócio. Por outro lado temos uma equipe afinada que fala a mesma língua. Somos um time que pega junto e sua a camiseta nos 90 minutos e na prorrogação se for o caso. Nossa equipe é muito competente, formada por excelentes profissionais, por exemplo, o Mauro e a Lidiane estão comigo há bastante tempo e são de vital importância aqui no estúdio. Procuro conversar muito com a equipe e ouvir o que eles pensam. Não raro eles me provam que a idéia deles é melhor que a minha e aí a gente acata naturalmente", observa Joares que está lendo o livro: "O Grande Conflito" de Ellen G. White, (um best seller com mais de 10 milhões de livros vendidos), a escritora é norte-americana.
O fotógrafo campobonense que provou que é possível sair do "coitadismo" e se tornar um vencedor fala sobre sua profissão: "Como já disse anteriormente, amo o que faço. A fotografia é minha vida. Faço da fotografia uma arte e ainda hoje não fiz a minha melhor foto. A melhor foto de minha vida vou fazer amanhã e se me perguntar amanhã, responderei amanhã. Todo profissional em qualquer área deve ter projetos, traçar metas e batalhar para transformar o sonho em ação. O segredo do sucesso está em 90% de inspiração e 10% de transpiração, o sucesso podem ter certeza que vem antes de trabalho no dicionário", afirma Joares Machado.

A família


Joares Machado casou-se em 1995 com Angela Cassel de Campos, artista plástica. Desta união fundamentada na fé e no amor, nasceu Isadora Campos (7 anos), o tesouro da família.
Ao falar da família Joares chora especialmente ao lembrar de seu pai já falecido. "Meu pai teve uma criação muito dura e tinha dificuldades em demonstrar amor, mas era uma pessoa boa. A maneira como foi criado prejudicou muito a ele e a nós. Mas antes dele morrer podemos conversar muito e mesmo ele sendo durão, descobri que ele amava muito a gente da sua maneira. Agora tenho procurado ser um pai diferente com a Isadora. Brinco, canto, participo, beijo, pego no colo e não poupo a palavra eu te amo. Esta palavrinha é mágica e faz um bem enorme não só aos filhos, mas à todos. Experimente dizer eu te amo. É lamentável que as pessoas deixem para dizer eu te amo, quando a esposa, o esposo, o pai, a mãe, o irmão ou o amigo estão dentro do caixão. Eu te amo, você é muito importante para mim. Que bom que você é meu amigo são palavras que devem fazer parte do nosso dia a dia, aliado a um abraço caloroso. Os médicos americanos dizem que devemos abraçar no mínimo seis pessoas diferentes por dia e isto evitaria estresse, infarto, gastrite, hipertensão, diabetes e a doença do século; a depressão. O amor tem um poder curativo", afirma Joares Machado que destaca a importância da família. Se a família está bem o mundo vai bem. É só pesquisar nos presídios, 99,9% dos presos são frutos de famílias desestruturadas que não conheceram a palavra afeto. Não abro mão lá em casa de reunir a família para jantar e almoçar, além de orarmos juntos. Quando estamos juntos, dialogamos, brincamos, trocamos idéias e a televisão fica desligada, porque este aparelho é capaz de afastar famílias. Sou grato a Deus pela esposa que Ele me concedeu, minha fiel companheira, uma verdadeira auxiliadora e agradeço ao Criador pela filha linda e perfeita que Ele nos agraciou", fala em lágrimas.

O Brasil precisa de educação


"A solução para o Brasil é a educação. Investimentos em educação precisam ser mais fortes e efetivos. Construção de escolas técnicas profissionalizantes em nível de ensino médio, apoio com bolsas a alunos de baixa renda que desejam ingressar numa faculdade. Soa educação pode levar o Brasil ao desenvolvimento. Por outro lado acho que o país precisa punir culpados de corrupção. Não temos a primazia da corrupção, porque onde existem seres humanos existe esse câncer da sociedade, mas nós infelizmente detemos a primazia da impunidade. Quem já foi preso destes escândalos todos aí?" questiona o fotógrafo. "Nós devemos fazer o dever de casa. É preciso reformar as leis, a maioria delas estão velhas e ultrapassadas e causam lentidão. É preciso acabar com impostos pesados que punem os empresários que desejam produzir. É preciso criar um projeto sério que contemple a agricultura. O Brasil se plantar em cinco anos se torna uma super potência, vende alimento para o mundo e ainda abastece o país e a fome realmente será zero. Não podemos ser assistencialistas, precisamos ensinar as pessoas a pescar, só dar o peixe vira clientelismo e aí se criam os chamados currais eleitorais que existem no nordeste e aqui no sul só que de uma forma mais sucinta. O Brasil se deixarem ele crescer se torna uma grande nação em pouco tempo. Apesar da classe política estar desacreditada acho que é através do voto e do processo democrático que vamos mudar o país. O momento é de mudança e renovação. O povo tem a faca e o queijo na mão para em outubro começar a escrever outra história", observa Joares Machado filho do Sr. João Maria e da Dna. Ondina Lobato Machado, ambos falecidos.
Á vida de Joares Machado soa como um soneto de Neruda,como um conto de Garcia Márquez ou quem sabe como o personagem mitológico da história grega: o pássaro Fênix que ressurge das cinzas. O menino pobre desacreditado, poderia ter se acomodado na esteira de produção, porém ousou sonhar e transformou o sonho em ação, virando o jogo da vida. Hoje Joares, o menino do 25 de Julho é um dos fotógrafos mais conhecidos do Rio Grande do Sul e proprietário de um dos melhores estúdios fotográficos do Brasil. Ele gosta de afirmar que não faz fotos e sim arte. Joares driblou a pobreza material e cultural, quebrando paradigmas e escrevendo sua própria história, ascendendo archotes da esperança num mundo que envelhece piorando, mas que sonha com a manhã radiosa, quando ressurgir o Desejado de todas nações.


(Jair Wingert)
( Entrevista de Joares Machado para o Jornal O Fato no dia 21/07/2006)
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